Talvez fosse o último dia meu,
logo cedo o pensamento doeu.
O café parecia adeus,
o bolo, algo que se perdeu.
O choro travou na garganta,
minha fé se fez presença santa.
Partir assim, vida incompleta,
dor que em silêncio se agiganta.
Sem ler o livro que comprei,
sem dizer o poema que criei,
mil desejos despertei,
todos de uma vez.
Quis sentir o vento na face,
o sol no corpo em brasa que nasce,
a lua à noite como enlace,
vida simples que me abrace.
O vinho guardado, especial,
pareceu chamado essencial,
que partir sem vivê-lo seria fatal.
Não foi o último dia,
mas nada ficou igual:
atravessei as horas desperta,
viva...em estado total.