Prefácio
“Há pessoas que são como a cana,
mesmo postas na moenda,
esmagadas em seu todo, reduzidas ao bagaço,
só sabem dar doçura!”
Dom Helder Câmera
Foi com muita emoção, um misto de felicidade, envaidecimento, ufanismo, alegria, que recebi o convite desta jovem e talentosa escritora, Keila Rackel Tavares, para prefaciar sua obra.
Considerando que uma mãe somente confia a guarda de seu filho, seu primogênito, a alguém de extrema confiança;
Considerando que essa pessoa está apta a cuidar e guardar seu filho, tal qual fosse a própria mãe;
Considerando que assim me senti, com essa responsabilidade, quando fui procurado por Keila Rackel;
Considerando que fui identificado, sendo a pessoa adequada a quem ela confiaria a guarda de sua cria, o seu primeiro autógrafo, o seu primeiro livro, seu primeiro filho literário;
Eis-me, pronto a executar a sua ordem, respeitando o seu talento observando o seu chamado.
Apresentando a escritora:
Keila Rackel Gomes da Silva Tavares, que assina seus poemas como Keila Rackel, ou Keila Rackel Tavares, utiliza, também, o pseudônimo Keckel, para textos considerados ávidos, picantes, sensuais. É natural de São Luís, capital do Maranhão, nascida no dia 6 de agosto de 1977. Formou-se em Letras com Habilitação em Língua Inglesa, é pós-graduada em Didática Universitária. A poetisa, atualmente faz parte da Família Literária e se orgulha disso. Seus autores prediletos são: Edgar Allan Poe, Hans Christian Andersen, Álvares de Azevedo e Augusto dos Anjos, “porque o gótico e o fantástico muito me atraem”. Palavras da escritora.
Os nomes citados exercem na escritora a influência gótica, adora o que é burlesco, pois julga importante mostrar ao seu leitor que “há sempre no mundo uma mistura de luz e trevas. Uma luta constante para escolher qual caminho devemos seguir!”. (Dizeres da escritora).
Falando da obra:
“Versos em chamas e maresia” é uma obra poética, composta por poemas, prosas poéticas, contos, uma fartura literária onde a escritora coloca sua marca expondo todas as cicatrizes que instigaram o seu eu lírico para nos transmitir beleza inusitada, verdadeiras chamas em formato de poesia!
Dando-nos o exemplo vivo de como deve se portar uma pessoa que diz ser patriota local, uma regionalista, inicia sua obra descrevendo no poema “O meu Maranhão”, a linda São Luís do Maranhão, sua terra natal, lugar onde o “sol brilha sem parar,/ as gaivotas sobre o mar,/ onde canta o sabiá”, enaltecendo a magnitude das maravilhas que ali existem e como se não bastasse ainda nos faz sonhar com as lindas dunas, praias, águas salgadas do mar e com a névoa fina, chamada maresia, onde, quando ainda menina se deliciava correndo, saltando, banhando-se, “sem ser contaminada”!
Keila Rackel nos mostra “A essência da poesia” que “é pra se ter / se dar / receber / escrever / é a arte de se expressar/ em verso ou rima/ é a essência da vida!” A poetisa revela muito do seu perfil romântico, onde expõe seus sentimentos de felicidade e desilusões que deixaram feridas que foram cicatrizadas com a poesia, como nos poemas “Lutando por um amor”, “Cofres blindados pelo tempo”, “Amor” entre outros, onde diz claramente, “em meio ao medo há doçura” ainda, “no frio serei seu abrigo/ na sua dor, o consolo/ na tristeza, o afago/.....na felicidade sou seu motivo a mais pra sorrir” noutra hora diz: “nossos corações são como cofres/... compramos chaves e cadeados/... pensamos: agora, sim, está bem lacrado/... mas cometemos o erro de confiar/, de acreditar/ e uma cópia ceder” também diz claramente: “se eu quiser falar do meu amor/ tenho que esquecer quem sou/ tenho que perder o rumo/ tenho que errar o prumo/ tenho que salivar a dor/ cuspir na face do amor/ cheirar a flor/ suar/ gritar/ rasgar/... se ainda assim/ quiser falar de amor/ tenho que perguntar a mim mesma/ o que é o amor?”
A escritora em foco é movida pelas artes pois, quando jovem, foi bailarina. Lembra-se do doce tempo de menina e retrata isso com perfeição no poema “Bailando no ritmo da emoção”: “entre trocas doloridas de sapatilhas/... substituindo a lágrima de dor/ pelo sorriso/ ao deslizar no palco... ainda é aquela menina/ bailando nesta vida/ obedecendo o ritmo do coração!”
Viver sob o medo psicológico não é bom! Keila Rackel denuncia a situação. Deixa muito evidente, sua preocupação com as mulheres que carregam essas marcas, cicatrizes: “quando estão no corpo, são visíveis, mas há também as da alma que, apesar de não serem vistas, são tão ou mais doloridas”. Isto está na prosa poética “A cura” onde ainda conclama ao poeta e poetisa dizendo: “você tem a linda tarefa de cicatrizar, curar, pois cada verso de uma poesia carrega em si a capacidade de abrandar um coração debilitado, trazendo paz, pois esta é nossa lida e magia: Cicatrizar com poesia”. Ainda neste tópico, no poema “Medo” cria uma situação, que é real, onde a mulher não tem voz diante da brutalidade machista posto que, quando tenta denunciar ele diz: “tenta e você não verá outro dia/ mato você e suas filhas”. Ainda no poema “Ser mulher” diz que o sofrimento da mulher é uma constante porque ela é guiada pela emoção e, por possuir “carnes”, é desejada e logo se vê apaixonada expondo ali a sua fragilidade, momento em que o insensato se aproveita impondo-lhe o jugo: “quando estamos apaixonadas/... nossos sentimentos/ sobrepujam a razão/ e passamos a pensar/ somente com o coração”. Por fim deixa um conselho para as mulheres no poema “Divorcie-se”: “é melhor viver sozinha/ do que viver uma vida vazia”!
Keila Rackel recebe influência de grandes escritores, como Edgar Allan Poe e Hans Christian Anderson, entre outros, que nos fascinam invocando emoções sombrias, desafiando convenções, explorando o lado obscuro da natureza humana abordando questões existenciais e emocionais.
Cercada por estes mestres nossa literata nos fascina percorrendo limites com criatividade, introspecção em busca de significado da existência, vejam como exemplo, sua expressão no poema “Insônia”: “Um arrepio percorre meu ser/ vejo meu corpo nu/ me contorço/ minha alma se despede de mim mesma/...vejo a lua de sangue/ que me saúda com lágrimas/ em meio a tudo isso/ ópio, adrenalina, lítio/ tudo sorvo, tudo provo”, por fim declara: “o sono não me possuiu/ sou fantasma de mim mesma/ a noite se esvaiu”! ainda no poema “Morte” diz: “quando ela me beijou/ senti o orvalho roçar a minha face/... então saí nua/ no meio da rua/ noite adentro/ procurando e endeusando a lua”. Entendo que nossa autora evoca emoções intensas revestida de tensão melancólica, onde confronta a complexidade humana! Isso para mim é o ponto culminante da obra!
Ainda se expressa com tranquilidade sobre a bipolaridade no poema “Bipolar” e na prosa poética “Corações Bipolares”, insinuando que “os bipolares se entendem”!
Diz, com ironia, no poema “Abolição? Não!” “o negro continuou a ser escravo” e, ainda, que não foi levado a sério o documento assinado pela Princesa Isabel. Retrata em “Sertanejo” o homem guerreiro que enfrenta sol, chuva, “arregaça as mangas e luta/ todos os dias/ para a comida não faltar”. Apresenta-nos “Misoginia”, poema em forma de “Rapp”, censurando o preconceito em todos os quadrantes. E, ainda, em “Sociedade por trás das grades”, outro Rapp, denuncia a corrupção existente na sociedade, sobretudo entre os defensores da lei!
Apresenta sagaz sensualidade em “Relógio do coração”, “Concupiscência”, “Desejo”, “Instinto” poemas onde se refere ao desejo carnal, a libido como algo que entorpece e dá prazer. “Os seios dela”, também sensual, mas que apresenta uma tragédia. É um conto, mui bem elaborado.
Finalmente, a escritora encerra sua obra com dois primores, verdadeiros depoimentos.
No poema “Torres em mim” ela diz se achar reclusa e sem saída “A torre em mim se fechou/ estou perdida/ não encontro saída” por fim completa: “Libertar-me do medo/ libertar-me do pesadelo/ e confiante recomeçar/ pois sempre haverá/ novos passos para trilhar/ levantar-me/ lutar/ e novamente brilhar”. Na prosa poética “O meu amor é doce, mas é como lítio”, ela declara, de forma bastante romântica e poética, do seu desapego pelas coisas relativas ao amor romântico declarando seu amor total pela literatura dizendo: “Hoje entendo, a minha paixão pela literatura e se hoje estou viva, primeiro agradeço a Deus, depois ao meu hiperfoco”
Amigo leitor, esta obra é diferenciada. Expõe uma forma heteróclita de paixão, coloca em xeque valores, evoca a reflexão abordando a introspecção explorando questões existenciais.
Portanto, “Versos em chamas e maresia” é uma viagem que vai prender a sua atenção. É, obrigatoriamente, uma obra que deverá fazer parte da prateleira em sua biblioteca, no seu escritório ou no seu lar!
Enoque Gabriel, Lorde Égamo
Escritor/ poeta/ prefaciador
Comentários
Parabéns!! Versos em Chamas
SERGIO EDUARDO DA SILVADa Silva | 11/02/2026 ás 11:52 Responder ComentáriosEstou deveras envaidecida por suas lindas e sinceras palavras, sei que encontrei em você um bom , leal e verdadeiro amigo, além de um ótimo parceiro na jornada poética de abrilhantar a vida de nossos queridos leitores, a quem devemos honrar com nossas mais belas obras feitas com o coração.
Keila Rackel Tavares | 11/02/2026 ás 12:15 Responder ComentáriosEstou deveras envaidecida por suas lindas e sinceras palavras, sei que encontrei em você um bom , leal e verdadeiro amigo, além de um ótimo parceiro na jornada poética de abrilhantar a vida de nossos queridos leitores, a quem devemos honrar com nossas mais belas obras feitas com o coração.
Keila Rackel Tavares | 11/02/2026 ás 12:15 Responder ComentáriosSua obra é, deveras, diferenciada. Mereceu minha dedicação plena! SUCESSO!
Lorde Égamo | 11/02/2026 ás 12:24Parabéns pela grandiosa obra sucesso sempre
Maria Lurdes | 11/02/2026 ás 12:23 Responder Comentários