Versos calados
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 27 de Agosto de 2026 ás 06h 15min
Versos Calados
Rosy Neves
Versos calados dormem
nas margens do tempo,
como cartas esquecidas
entre folhas amareladas
de um outono sem fim.
Havia um amor ali…
silencioso, quase invisível,
adormecido entre as páginas
onde a saudade escreveu
com tinta de lágrimas.
O espelho já não reflete
os rostos que um dia se amaram,
apenas sombras antigas,
um olhar perdido
e um beijo preso
na dobra de uma lembrança.
As folhas caem devagar,
como se tivessem medo
de despertar o passado.
E eu permaneço em silêncio,
tocando com os dedos
as palavras que não foram ditas,
procurando entre as nervuras da folha
o coração daquele amor.
Talvez ele ainda exista…
pequeno, adormecido,
respirando sob a poeira dos anos.
Talvez, quando a última folha cair,
o vento encontre nossos nomes
e os leve novamente
para algum lugar
onde o tempo não saiba envelhecer.
E então, quem sabe,
os versos calados despertarão —
e o amor, ainda coberto de outono,
abrirá lentamente os olhos
dentro do espelho da eternidade.