Veredito da flor

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 30 de Agosto de 2026 ás 14h 01min

 O Veredito da Flor
Rosy Neves
 
Eu sou a flor
que se recusa a morrer,
nascida entre pedras,
alimentada pela chuva
e pelo silêncio das madrugadas.
 
Minhas pétalas conhecem o inverno,
meu caule carrega cicatrizes
de ventos que ninguém viu,
e ainda assim,
eu floresço —
como quem desafia o próprio destino.
 
Não peço clemência ao tempo,
nem imploro ao céu
mais uma primavera.
 
Se houver um veredito escrito
nas páginas secretas da eternidade,
eu o receberei em silêncio.
 
Porque lutei.
 
Floresci quando tudo era deserto,
guardei perfume quando o mundo
só me oferecia espinhos,
e amei mesmo quando
o amor parecia uma sentença.
 
Eu sou a flor
que se recusa a morrer…
 
Mas, se a última noite chegar,
se o vento vier buscar minhas pétalas,
se o destino pronunciar
o seu veredito final,
 
eu fecharei os olhos
sem medo.
 
E talvez,
sob a terra escura,
uma pequena semente
ainda sussurre:
 
“Eu não terminei.”
 
E quando a primeira chuva tocar o chão,
quando a manhã nascer
por detrás das montanhas,
 
ninguém saberá
de onde veio aquela flor.
 
Mas ela estará lá.
 
Novamente florescendo
contra o impossível.

Comentários

Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.