UM MENINO CORAJOSO
| | 2026/10 Antologia Era uma vez uma palavra | TEREZINHA PANCOTTOPublicado em 08 de Outubro de 2026 ás 16h 38min
UM MENINO CORAJOSO
Pedro estava muito ansioso para que chegasse logo o fim de semana. Ele havia visto na rua por onde passava, voltando da escola, uma placa que chamou muito sua atenção.
O interessante é que ele leu a placa na segunda-feira, e nela estava escrito: “Caminho do Gigante”.
Havia um mapa e a indicação de seis dias.
No dia seguinte, terça-feira, a mensagem dizia: “Conheça a Casa do Gigante”. Faltavam cinco dias.
Na quarta-feira, o aviso dizia: “Lá é muito divertido”. Agora faltavam quatro dias. Na escola, aquele dia parecia não ter fim. Pedro estava muito curioso para saber qual seria a mensagem de quinta-feira.
Quando finalmente chegou o fim do dia, ele foi até a placa e ficou sem entender: havia algumas letras embaralhadas “ORPED” e a indicação de três dias restantes. Intrigado, Pedro não fazia ideia do que aquilo poderia significar. Então teria que esperar até o dia seguinte para descobrir a nova mensagem.
Naquela noite, já quase pegando no sono, ele lembrou das letras e começou a rearranjá-las na cabeça. Logo percebeu que formavam o seu próprio nome: Pedro.
— Uau! — pensou, empolgado. Estava tão animado que teve dificuldade para dormir.
No dia seguinte, a placa mostrava um desenho de um caminho de pedra e a indicação de dois dias. Pedro não sabia o que pensar e a quem ele poderia perguntar. Sua mãe já tinha lhe dito que naquela placa sempre estava escrito “Rua sem fim” e explicou o significado.
Naquela noite, ele quase não dormiu de novo. Ao amanhecer, acordou cedo, pegou sua mochila e colocou alguns objetos que achava que poderiam ser úteis: um revólver de água, um estilingue, algumas pedras, uma garrafa com água e um casaco. Amarrou uma caixa de sapato no guidão da bicicleta e estava pronto para a aventura.
Seguiu até onde estava a placa. Agora, havia apenas uma seta indicando o caminho. Conforme avançava, mais setas iam surgindo, mostrando a direção.
De repente, Pedro encontrou uma estrada de pedra. Parou um pouco para beber água. O sol já iluminava o dia, mas ainda não havia nenhuma árvore para fazer sombra. Aquela estrada parecia realmente não ter fim, e ele se lembrou da frase de sua mãe: “Rua sem fim”.
Um passarinho amarelo pousou na placa que indicava o caminho. O passarinho começou a cantar e a voar, e
Pedro, aceitando o novo amigo, o seguiu. O passarinho pousou em seu ombro e a aventura prosseguiu.
De repente, a bicicleta de Pedro bateu em uma bola.
— Oh, cuidado, cara! Vai estragar a minha casa! — exclamou um tatu-bola. — Meu nome é Juca.
— Meu nome é Pedro, e esse é o Amarelinho. Estamos indo para o Castelo Encantado do Gigante. Quer vir junto?
— Claro! Sempre estou pronto para uma nova aventura! — respondeu Juca.
Pedro colocou Juca na caixa de sapato e começou a pedalar novamente. Logo ouviu:
— Curupaco... curupaco... esperem por mim!
Era um papagaio que chegava voando.
— Oi, meu nome é Damião. Também quero ir junto! — disse o papagaio, que se acomodou no ombro direito, pois o esquerdo já era do Amarelinho.
Pedro pedalava feliz, quando de repente, notou algo estranho: asas haviam se formado na roda traseira da bicicleta.
— Uau! Estamos voando! — gritou ele, maravilhado.
Tudo ao redor começou a ficar pequeno, até desaparecer. Eles entraram em uma nuvem muito estranha, que se dissipou ao revelar novamente a estrada de pedra, que terminava em frente a uma porta enorme. Desceram da bicicleta, bateram na porta, e ela se abriu sozinha.
Entraram em uma grande sala branca, com uma mesinha e quatro cadeiras. Cada cadeira tinha o nome de um deles: Pedro, Amarelinho, Damião e Juca. Em frente às cadeiras, havia pratos com guloseimas: alpiste para o Amarelinho, sementes de girassol e amendoim para Damião, frutas para Juca, e no prato de Pedro, pão de queijo, uma fatia de pão com nata, brigadeiro e suco de uva.
Famintos, devoraram tudo rapidamente.
De repente, ouviram o som de um sino. Ficaram olhando ao redor para entender de onde vinha o som. Cautelosos, foram andando devagar e entraram em uma sala toda azul, onde havia muitas peças de um quebra-cabeça espalhadas pelo chão. Juntaram as peças e montaram um túnel, por onde conseguiram passar, como em um enorme tobogã, até chegarem a uma sala amarela. Lá, havia skates, patinetes e motos de vários tamanhos.
Pedro estava encantado, sem saber por onde começar. Tudo era colorido, com luzes piscando. Ele decidiu escolher um brinquedo no qual pudesse levar também os amigos. A casa realmente era muito divertida, e Pedro nem pensava em voltar para casa. Nem se preocupou em saber quem era o dono do lugar, de tão envolvido que estava na brincadeira.
Subitamente, camas elásticas, tobogãs infláveis e colchões de ar gigantes apareceram na sala, que ficou toda laranja. Pedro e seus amigos brincaram tanto que acabaram adormecendo juntinhos.
Acordaram assustados, com alguém pedindo socorro. Agora, estavam em uma sala toda roxa. Olhando ao redor, viram algumas crianças presas dentro de uma enorme bolha. Pedro pensou:
— Então é isso que o gigante faz? Atrai as crianças com esses brinquedos e depois as prende? E agora, o que fazer?
Ele chamou os amigos e se esconderam debaixo da cama elástica. Logo ouviram uma voz:
— Ele prende as crianças nessa bolha e depois nos faz trabalhar para ele.
— Como podemos ajudar? — perguntou Pedro. — Meu nome é Pedro, e o seu?
— Meu nome é Sara. Precisamos bolar um plano... O gigante está chegando para prender vocês. Vocês são a nossa salvação!
Pedro lembrou-se das palavras de seu pai, que sempre dizia que ele era um menino muito corajoso. Então, ele traçou um plano e dividiu as tarefas com seus amigos.
O gigante finalmente apareceu. Amarelinho voou até o controle da bolha e o acionou. A bolha começou a desinflar, Damião voava ao redor do gigante, Juca rolava pelo chão tirando sua estabilidade, e as crianças conseguiram sair da bolha. Pedro usou seu estilingue para acertar uma pedra no nariz do gigante que, atordoado, caiu.
Pedro chamou todos e eles saíram correndo da sala. Mas o gigante logo se levantou e tentou agarrar Pedro. Ele começou a se debater.
— Pedro! Pedro, acordaaa! Acoooordaaaaa! — alguém dizia
Pedro abriu os olhos assustado. Era sua mãe, tentando acordá-lo. Ufa! Tudo não passara de um pesadelo.
Ele levantou-se, foi até a janela e viu seus amigos em cima do muro, sorrindo e acenando. Será que foi só um sonho, mesmo?
Mas Pedro aprendeu uma lição: nunca devemos aceitar convites de pessoas que não conhecemos.
Terezinha Pancotto, dezembro de 2023, para o menino mais corajoso que eu conheço.