UM CORDEL PARA MEU VELHO
| | 2025 - Fátima Cordelista e Convidados - Versejar é preciso | Fátima CordelistaPublicado em 05 de Outubro de 2026 ás 15h 19min
"CORDEL PARA O MEU VELHO"
Meu pai um homem da roça
e de verso na garganta.
Cedo pegava na enxada
e a tarde puxava a dança
no embalo de Gonzaga
na sanfona da esperança
Ele amava um Cordel
folheto amarelado
com rima de sete linha
e causo bem contado.
Dizia: "filha, palavra boa
é semente em chão molhado".
Partiu faz tempo, meu Deus,
mas não saiu do terreiro.
Ficou no cheiro do café,
no canto do bem-te-vi,
na força que me sustenta
nos dias mais brasileiros.
Hoje eu sou Cordelista
por causa do seu guiar.
Cada verso que eu escrevo
é pra te homenagear.
Se o céu tem roça e viola,
sei que o senhor tá a cantar.
E quando a saudade aperta,
fecho os olhos em oração
meu pai na roça, de chapéu,
assobiando a canção
enquanto o sol se escondia
e a paz no seu coração.
Pai, recebe esse folheto
que escrevi com fé e dor.
É rima, é reza, é raiz.
É símbolo de teu suor
do jeito Cordel de ser:
em verso, em canto, em amor.