Um anjo de asas abertas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Agosto de 2026 ás 11h 44min
Um anjo de asas abertas
Ele é um anjo de asas abertas,
perdido na expansão do cosmo,
onde as estrelas parecem tulipas de luz
florescendo no jardim do infinito.
Silêncio...
não pronunciem seu nome.
Há nomes que pertencem ao céu
e não cabem na boca dos homens.
Ele atravessa constelações
como quem atravessa o Bósforo ao entardecer,
levando nos olhos
a última lágrima de uma estrela.
Suas asas não fazem sombra;
fazem caminhos.
E cada movimento delas
desenha uma nova estrada no universo,
um rio de prata,
um segredo antigo,
uma saudade que ninguém consegue explicar.
Eu o vejo de longe...
Tão distante,
tão belo,
tão impossível.
E penso que talvez o céu
não seja apenas um lugar,
mas o silêncio deixado por ele
quando passa.
Ó, anjo das asas abertas,
se um dia o cosmo se cansar
de carregar suas estrelas,
repouse em meu poema.
Eu guardarei teu voo
entre duas páginas do infinito,
como quem guarda uma flor
que nasceu longe demais da Terra.
E quando a noite perguntar
quem atravessou o céu,
eu direi baixinho:
Foi ele...
O anjo sem fronteiras,
o viajante das estrelas,
aquele que abriu as asas
e fez do universo
uma pátria para a sua luz.