Um amor perdido
Poesia Amorosa | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 06h 35min
A cor se foi
do meu tempo,
aquele tempo que era nosso,
um verde vibrante
sob um sol de verão
que prometia não se pôr.
Mas veio o vento frio,
o cheiro de terra molhada,
e o outono, cruel pintor,
desenhou em nós
o mapa da despedida.
Cada folha caindo
era um pedaço de nós
que se soltava da árvore,
levado para longe
num turbilhão silencioso.
E tudo se desfez.
As promessas viraram pó fino,
o toque, uma memória frágil,
a voz, um eco tênue
na caverna vazia do agora.
Resta esta névoa,
esta doce e teimosa ilusão
de que há um outro lado,
um lugar onde o tempo se dobra,
e você me espera.
Eu vejo o brilho,
um reflexo na água turva,
a forma que se aproxima
na miragem do crepúsculo.
É você, ou apenas o desejo
emoldurando a ausência.
O coração insiste
em bater no ritmo de um encontro futuro,
um reencontro prometido
além das margens conhecidas.
Mas onde está a travessia?
Aonde se esconde a passagem
que nos levará àquele cais secreto?
Eu procuro com os olhos vazios,
meus pés presos na lama do presente.
Ó meu Deus,
esta ponte,
onde ela se apoia?
É feita de luz? De saudade pura?
Eu não a vejo.
Sinto apenas a distância,
o vácuo entre o ontem vivido
e este hoje que se arrasta,
pesado como tronco sem galhos.
A ponte não aparece.
Eu grito seu nome,
e o som se afoga no nevoeiro,
levado pelo mesmo vento
que arrancou as folhas
daquele nosso amor perdido.
Eu sigo procurando,
com a certeza vã
de que, se eu der mais um passo incerto,
o chão se tornará madeira firme,
e a ilusão, enfim,
será o nosso lugar de novo.
Mas a ponte, Senhor,
a ponte onde ela está?
Eu estou pronto para atravessar,
mesmo que o abismo abaixo
seja o próprio esquecimento.