Tristeza
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 30 de Maio de 2026 ás 07h 47min
Tristeza
Os meus olhos são duas cegonhas mudas,
duas luas loucas e brilhantes,
correndo sem descanso pelo vasto cosmo,
numa busca eterna e desesperada por ti.
É tanta tristeza… uma tristeza serena e calada!
O mar que existe dentro de mim é todo melancolia,
não tem ondas que se quebram, não tem movimento…
parece não ter vida.
E se por acaso alguma vida ainda restar lá no fundo,
se é que existe alguma coisa viva em meio a tanta calma,
são apenas algas marinhas, verdes e escorregadias,
que resistem, teimosas, agarradas às rochas,
suportando e abraçando a minha dor.
Se algum dia essas duas cegonhas mudas,
que são os meus olhos,
ousassem finalmente falar e revelar
toda a penumbra escura que mora dentro de mim!
E se esse mar imenso e profundo,
que carrego no peito,
ousasse, de repente, despertar e se agitar…
Ah, se isso acontecesse, tudo em mim seria vida!
Os barcos voltariam para a praia sem nada questionar,
e viriam navegar em águas tão profundas quanto as minhas.
Por mim passariam as rotas e as marés de dois mundos inteiros,
e eu veria, diante de mim,
dois horizontes perfeitos, espelhados e gêmeos…
Mas, ainda assim, existe em mim, firme e pesada,
uma dor que não quer partir, alojada no meu peito.
Ela é tão profunda, tão vasta e tão melancólica
quanto o próprio mar noturno.
É por isso que os meus olhos continuam sendo,
para sempre, duas cegonhas mudas.
Duas luas loucas e errantes,
passeando devagar pelo céu da imensa vastidão…