Torre de névoa douradas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 23 de Setembro de 2026 ás 13h 17min

 Torres de Névoa Douradas
Rosy Neves
 
 
 
Ó meu Deus!
 
Tenho saudades das torres de névoa douradas,
onde o amanhecer parecia nascer em silêncio,
e os lírios brancos, tão alvos,
guardavam nas pétalas
os segredos esquecidos do céu.
 
Estou perdida em um oceano
que não pertence a este mundo.
As ondas não carregam água —
carregam memórias,
antigos nomes,
pedaços de estrelas
que ainda brilham dentro de mim.
 
Navego sem bússola,
sem porto,
sem saber onde termina o horizonte
e começa o infinito.
 
Às vezes, uma luz atravessa a névoa
e toca meus olhos
como uma lembrança que não consigo alcançar.
 
Então pergunto ao silêncio:
 
Quem é o comandante
deste oceano impossível?
 
Quem conduz meu barco
por entre constelações adormecidas?
Quem conhece o caminho
de volta às torres douradas,
onde os lírios ainda são brancos
e o céu parece lembrar meu nome?
 
Ó meu Deus,
se existe uma estrela guiando esta travessia,
que ela não se apague.
 
Porque eu ainda navego...
 
E, no fundo da névoa,
há alguém segurando o leme
como se soubesse exatamente
para onde minha alma
precisa voltar.

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