Tinta de chuva

Poemas | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 07 de Janeiro de 2026 ás 15h 41min

Tinta de chuva 

 O céu derrama 

suas lágrimas cinzas, 

um véu aquoso 

sobre a cidade adormecida. 

 

Gotas finas, 

agulhas transparentes, 

picotando a poeira 

das ruas esquecidas. 

 

O asfalto brilha, 

um espelho líquido, 

refletindo as luzes tênues 

dos postes hesitantes. 

 

A terra sedenta bebe, 

garganta seca saciada, 

o aroma úmido sobe, 

perfume de renascimento. 

 

Tinta de chuva, 

lavando as mágoas, 

apagando rastros antigos, 

desenhando um novo começo. 

 

O rio incha, 

veia pulsante, 

levando consigo folhas mortas, 

sonhos desfeitos. 

 

No parapeito da janela, 

uma criança observa, 

dedos borrando o vidro, 

desenhando mundos molhados. 

 

Tinta de chuva, 

melancolia serena, 

canção suave e constante, 

embalando a alma.

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