Tardes chuvosas na infância
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 19 de Outubro de 2026 ás 14h 26min
Tardes Chuvosas na Infância
Poema lírico — Rosy Neves
Havia tardes em que o céu chorava devagar,
e a chuva bordava saudades na vidraça,
enquanto o vento, cansado de viajar,
cantava antigas canções pela casa.
Eu era apenas uma menina de sonhos,
com os pés descalços e o coração de flor,
ouvindo os pingos nos telhados tristonhos,
sem conhecer as muitas faces da dor.
Lá fora, a rua vestia-se de espelho,
e as poças guardavam pedaços do céu;
dentro de casa, o aroma do pão ainda quente
era um abraço envolvido num véu.
Ah, aquelas tardes de chuva e inocência!
O tempo parecia não ter pressa de andar.
Eu guardava estrelas na minha existência
e acreditava que o mundo podia esperar.
Havia bonecas, histórias e janelas,
barquinhos de papel navegando no chão,
e nuvens cinzentas, imensas e belas,
que faziam castelos na minha imaginação.
Mas o tempo passou… e a menina cresceu,
a infância partiu sem dizer adeus;
levou os brinquedos, os sonhos que teceu,
e deixou suas pegadas nos olhos meus.
Hoje, quando a chuva regressa à vidraça,
meu coração procura aquele antigo lugar;
e uma menina, escondida na alma,
corre descalça, querendo brincar.
Ah, infância querida, doce morada,
por que te escondeste nas brumas do tempo?
Ainda ouço tua voz na chuva derramada,
a embalar minhas saudades ao sabor do vento.
E, quando a tarde se veste de cinza,
fecho os olhos para o mundo lá fora…
Pois há uma criança que ainda me habita
e que, mesmo adulta, chora por ti até agora.