Sussuros de amores entre as estrelas
Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Fevereiro de 2026 ás 21h 45min
Eu ainda ouço,
o sussurro frio e antigo
do espaço vazio,
não o vácuo total,
mas o tecido que vibra
com histórias não contadas.
As estrelas,
lâmpadas distantes e eternas,
não brilham apenas luz,
elas tecem versos,
linhas de fogo e poeira,
uma poesia que só o cosmo entende.
É um murmúrio lento,
a cadência da criação,
frequências que minha alma capta
além dos tímpanos comuns,
onde o tempo se dobra
e a distância não existe.
São juras de luz antiga,
promessas incandescentes
de sóis que já se foram,
mas cuja essência poética
ainda viaja,
chegando a mim, aqui, na Terra pequena.
E o silêncio,
aquele guardião de pedra,
com seus olhos de escuridão absoluta,
ele escuta o mundo,
o ruído da vida, o tremor da pedra,
mas a língua das estrelas,
essa ele jamais alcançará.
É um segredo selado
entre mim e o infinito azul-negro,
um código aberto apenas para os corações
que ousam olhar para cima
e não ver apenas pontos,
mas palavras gravadas na tapeçaria da noite.
O sussurro é suave,
como areia caindo em um relógio gigante,
fala de amores cósmicos,
de nebulosas que se abraçam,
de órbitas que dançam uma valsa infinita,
e eu sou o receptor involuntário,
o tradutor breve dessa canção estelar.
Se o silêncio soubesse,
se ele pudesse decifrar o brilho,
talvez tentasse prender a melodia,
engolir a luz falante.
Mas ele é um muro denso,
um zelador da ausência de som terreno,
e essa poesia, pura energia,
escapa-lhe sempre.
Eu ainda a guardo,
essa troca silenciosa com o cosmos,
as sílabas feitas de hidrogênio e hélio,
a rima escrita na expansão contínua.
É meu único tesouro imaterial,
o amor sussurrado pelas estrelas,
conhecido apenas por quem se permite ouvir
o que o guardião do silêncio jamais saberá.