Súplicas há Miguel São arcanjo

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 23 de Março de 2026 ás 21h 09min

Então, Miguel São Arcanjo… era aí em cima

que tu te escondias do meu clamor?

Enquanto eu, perdida em mim mesma,

te buscava em prantos

pelos corredores infinitos da noite

— uma noite sem estrelas,

sem respostas,

sem teu eco.

 

Chamei teu nome no silêncio,

como quem chama a própria esperança

já cansada de esperar.

 

Minhas mãos vazias tocavam o escuro,

e o escuro… nada dizia.

E agora, Miguel?

E agora que sei onde estavas,

por que o céu ainda pesa sobre mim?

 

Era prova… ou abandono?

Era fé… ou distância?

Diz-me —

por que teu silêncio

soava mais alto que meus gritos?

Eu caí tantas vezes

entre o abismo e a prece,

entre a lágrima e o milagre

que não veio.

 

E agora, Miguel…

que meu coração já não sabe

se ainda te chama

ou se finalmente se cala —

desce.

 

Nem que seja em forma de vento,

ou no sopro leve da madrugada…

Mas desce.

Porque há uma alma aqui embaixo

que já não sabe mais

como subir.

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