Sonhos escondidos

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 28 de Abril de 2026 ás 09h 47min

Os sonhos se escondem nas conchinhas do mar.

 Onde a areia beija a espuma branca

e o sol se derrama em dourado.

Pequenos segredos repousam

em espirais e curvas perfeitas.

 

Não são tesouros de ouro ou joias brilhantes,

mas ecos de um tempo que foi

e sussurros de um futuro que ainda será.

Em cada concha, um universo minúsculo.

 

Uma estrela do mar, um pedaço de céu azul,

um fragmento de lua que rolou pela maré,

uma concha que guarda o murmúrio das ondas,

como uma canção antiga, sem palavras.

 

Há sonhos de navegantes que zarparam

com ventos no rosto e esperança no peito,

sonhos de sereias que cantavam melodias distantes

e de peixes que dançavam em cardumes cintilantes.

 

Há também os sonhos esquecidos,

aqueles que o tempo varreu para longe,

as promessas murmuradas ao ouvido do oceano,

os desejos lançados em fogos de artifício noturnos.

 

Eles se aninham ali, protegidos pela rocha,

pelo sal que conserva e pelo silêncio profundo,

esperando pacientemente que alguém os encontre

com um olhar atento e um coração aberto.

 

A criança que brinca na beira,

com a mãozinha a escovar o areião,

talvez sinta a vibração de um sonho adormecido,

um convite para imaginar, para criar um novo dia.

 

O velho pescador, com rugas que contam histórias,

ao recolher suas redes, pode vislumbrar

um lampejo de um sonho de juventude,

um tempo de coragem e de mares bravios.

 

As conchinhas guardam o barulho do mar,

o som das tempestades e a calma depois delas,

o bater suave das marés que vêm e vão,

a pulsação constante da vida que se renova.

 

Cada ranhura, cada cor diferente,

é um convite para uma nova aventura,

uma porta para um mundo de fantasia,

onde tudo é possível, onde tudo é magia.

 

Os sonhos se escondem nas conchinhas do mar,

esperando a brisa que os traga de volta,

a mão que os pegue com ternura

e a voz que os desperte para a luz.

 

E quando você encontrar uma,

segure-a com cuidado, bem pertinho do ouvido,

e escute com atenção o que ela tem a dizer,

pois ali pode estar o seu próprio sonho a sorrir.

Comentários

Muito bom

ADAILTON LIMA | 28/04/2026 ás 18:05
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