Somos feitos de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 24 de Março de 2026 ás 18h 19min
Já percebeu?
Que as luzes foscas das estrelas
não são suspiros do agora,
mas memórias acesas
de um tempo que já se apagou?
São corpos de silêncio,
matérias mortas flutuando no infinito,
vozes que deixaram de existir,
mas que ainda atravessam o vazio
como um sussurro eterno.
E mesmo assim… nos alcançam.
Há nelas uma linguagem antiga,
que não se ouve com os ouvidos,
mas se sente —
como se a alma soubesse traduzir
o que o universo esqueceu de dizer em palavras.
Talvez sejamos feitos disso:
de ecos, de ausências,
de brilhos que já morreram
mas insistem em nos iluminar por dentro.
E quando olhamos o céu,
não vemos apenas estrelas —
vemos lembranças vivas
de tudo aquilo
que se recusou a desaparecer.