Sob as árvores antigas

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 10 de Junho de 2026 ás 11h 21min

Sob as Árvores Antigas

de Rosy Neves

 

Eu sentia o peso das sombras das árvores antigas...

Tudo era solidão.

 

O vento passava lento pelos jardins adormecidos,

trazendo o perfume distante do jasmim e da areia.

As muralhas do tempo guardavam segredos antigos,

e meu coração caminhava sozinho entre eles.

 

Tudo era solidão.

A lua derramava prata sobre os telhados silenciosos,

enquanto as estrelas velavam os caminhos do deserto.

Eu ouvia apenas o eco dos meus próprios passos,

como uma oração perdida na noite.

 

As tamareiras curvavam-se ao vento,

e os pássaros haviam recolhido seus cantos.

Somente a saudade permanecia acordada,

sentada ao meu lado como uma velha companheira.

 

Tudo era solidão.

 

Então ergui os olhos para o céu marroquino,

profundo como um mar de mistérios.

E compreendi que até as noites mais vazias

guardam uma luz escondida entre as estrelas.

 

Pois as árvores antigas conhecem os segredos da espera,

e o deserto conhece os caminhos do retorno.

E ali, entre sombras e silêncio,

meu coração continuou a sonhar. 

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