Sob a pele das palavras

| Poesia Amorosa | Dolores Flor
Publicado em 21 de Maio de 2026 ás 08h 34min

Nem tudo o que digo me pertence,
há frases que vestem disfarce;
por baixo delas, algo vence
a prudência que tento guardar-se.

 

Escrevo simples, quase fria,
como quem passa sem tocar;
mas cada sílaba escondia
um corpo inteiro a respirar.

 

Teu nome não surge declarado,
permanece em curva e sinal;
feito perfume resguardado
na dobra íntima do banal.

 

Há uma febre muito serena
sob meu modo de responder;
uma ternura que se condena
para não crescer e acontecer.

 

Se leres devagar minha ausência,
talvez percebas, sem rumor,
que há desejo em penitência
nas margens claras do pudor.

 

Porque a palavra, quando se cala,
nem sempre deixa de querer;
às vezes, apenas fecha a sala
para o amor não se perder.

Comentários

Um poema cheio de energia onde o eu lírico demonstra seu saber!

Lorde Égamo | 21/05/2026 ás 12:05
Responder

Muito obrigada Poeta.

Dolores Flor | 21/05/2026 ás 15:12

Às vezes o que está subentendido, vira epifania, não grita, não fala, mas por dentro, em ebulição na derme febril, causa delírios mil...

Keila Rackel Tavares | 21/05/2026 ás 14:17
Responder

Sim, Poetisa obrigada.

Dolores Flor | 21/05/2026 ás 15:13

Sem palavras, esta poesia Sob a Pele das Palavras, tem beleza declarada!

Edson Bento | 21/05/2026 ás 15:56
Responder

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