Silêncio

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 30 de Julho de 2026 ás 11h 07min

Silêncio!
 
Rosy Neves
 
Silêncio!
O arcanjo ainda costura
fagulhas de centelha
no tecido rasgado do universo.
Cada ponto de luz que suas mãos bordam
é uma estrela renascendo
sobre o abismo da eternidade.
 
Os olhos dele, tenebrosos,
guardam o peso de séculos esquecidos;
neles dormem tempestades
que nenhum céu da Terra conheceu.
 
Seus lábios permanecem mudos.
Nenhuma palavra escapa.
E, no entanto, o silêncio que carregam
grita mais alto que todos os trovões.
 
Traz-me um presságio...
Uma angústia antiga,
como se os ventos do infinito
soubessem de um amanhã
que ainda não nasceu.
 
Meu coração estremece.
Há algo caminhando
por trás do véu das constelações,
algo que não pertence ao tempo,
nem ao pó dos mortais.
 
Enquanto o arcanjo costura a luz
sobre as feridas do cosmos,
eu apenas espero, em reverente silêncio,
que sua última centelha
não seja o anúncio do fim,
mas o primeiro clarão
de um Reino que não é deste mundo.

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