Silêncio no mar sombrolento
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 15h 00min
Silêncio no Mar Sombrolento
Ele navega por um mar sombrolento,
fugindo, desesperado, de algo que carrega dentro de si…
Silêncio! Silêncio…
Até as ondas se calam de repente,
ao ouvi-lo soluçar, baixinho,
perdido na imensidão da água…
Ele tenta dormir, abrigado na sombra das névoas
que o envolvem suavemente,
embalando o seu espírito com cantigas de acalanto…
Ele foge de olhos bem fechados,
tentando escapar daquilo que é seu,
de algo profundo e adormecido
que repousa no fundo da sua alma…
E que, a qualquer momento, está prestes a despertar.
Silêncio!
Agora é o mar quem vai falar…
Vai contar os teus segredos escondidos
em profundos ecos e murmúrios,
deixando-os nas conchas quebradas
que a água devolveu, um dia, à areia da praia.
Silêncio…
Os olhos dele, sombrolentos,
tão escuros, tão densos,
assemelham-se a duas noites fechadas,
sem estrelas, sem lua, sem faróis…
Mas as ondas, mansas e compassivas,
embalam o seu corpo cansado
na melodia de um silêncio profundo,
um silêncio antigo e misterioso,
que não pertence a este mundo…
Silêncio!
Ele dorme apenas para poder fugir
daquilo que vive, alojado, dentro dele mesmo!
Silêncio…