Silêncio! Miguel São arcanjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 29 de Agosto de 2026 ás 09h 31min
Silêncio, Miguel São Arcanjo
Rosy Neves
Ele ainda permanece ali,
imóvel,
com o rosto voltado para o sol,
como quem espera que a luz
se lembre do seu nome.
Diante dele,
uma noite mais negra
que o manto que cobre o meu rosto
depois da morte,
estende seus braços
sobre as ruínas do mundo.
Silêncio…
Não há pássaros.
Não há sinos.
Nem mesmo as estrelas
ousam piscar.
O céu parece ter perdido
a última palavra de Deus.
E ele permanece ali,
sozinho diante do infinito,
com os olhos carregados
de antigas eternidades.
Silêncio…
Miguel São Arcanjo…
o vê.
Vê aquele coração
que ainda arde
debaixo da neve escura,
aquela pequena fagulha
que se recusa a morrer
mesmo quando a noite
já cobriu todos os caminhos.
E então,
lá no alto,
uma asa se move.
Apenas uma.
Como um sopro atravessando
o tecido negro do universo.
Ele não diz nada.
Mas o silêncio muda.
E, por um instante,
a noite inteira parece compreender
que nem toda escuridão
é o fim.
Porque há olhos celestes
que ainda vigiam.
Há asas que ainda guardam.
E há uma luz escondida
em algum lugar entre o sol
e a última estrela…
Esperando.
Silêncio…
Miguel São Arcanjo o vê.
E talvez seja por isso
que ele ainda permaneça ali,
com o rosto voltado para o sol,
mesmo diante da noite
mais negra de todas.