Silêncio e mistério
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 19 de Julho de 2026 ás 07h 07min
Silêncio e mistério!
Rosy Neves
Um riso, uma lágrima, um triste lamento,
ecoando perdido nas ruínas do vento.
A tarde vestiu-se de cinzas e frio,
e o céu derramou seu silêncio vazio.
Onde os corvos dormem, ninguém ousa cantar.
As sombras aprenderam a rezar.
Ali, até o tempo caminha devagar,
como quem tem medo de despertar.
Silêncio!
Há vozes antigas escondidas na pedra,
há um coração ferido sob a hera.
As estrelas baixaram os olhos, caladas,
e a lua recolheu suas vestes prateadas.
Se ouvires um sussurro cruzando a escuridão,
não perguntes seu nome nem sua razão.
Talvez seja a saudade procurando abrigo,
talvez seja a própria alma caminhando consigo.
E quando o último corvo abrir as asas para o infinito,
o mundo compreenderá, enfim,
que até o mais profundo silêncio
é um poema que Deus ainda não terminou de escrever.