Sentinela do céu
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Julho de 2026 ás 21h 55min
Sentinela do Céu
Rosy Neves
Silêncio — a voz do sentinela ainda ecoa
pelas vielas do Céu, pedra sobre pedra,
onde o arcanjo caminha descalço
e as estrelas são lanternas de cobre.
Ouve, ouve o arcanjo
que sussurra nomes esquecidos,
cada sílaba um fio de seda
tecendo o manto da noite eterna.
Nas muralhas de Istambul celeste
onde o Bósforo se torna luz,
o sentinela guarda segredos
que nem a lua ousa revelar.
Seus passos são preces antigas,
ecoando em minaretes de nuvens,
enquanto o vento carrega incenso
e a memória de mil alvoradas.
Ouve, ouve — ainda ecoa
a voz que nunca se cala,
sentinela entre mundos,
guardião do limiar sagrado.
E nas vielas do Céu
onde anjos e mortais se cruzam,
permanece o eco eterno:
Bekçi — o vigilante que nunca dorme.