Sem âncora

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 29 de Agosto de 2026 ás 10h 07min

 Sem Âncora

Rosy Neves

 

Ele tem as mãos curvadas de estrelas

e uma noite no olhar.

Eu navego

entre o mundo de dentro

e o mundo de fora,

buscando

um abrigo,

um aconchego

em seus braços.

 

A maré me leva, me traz,

sem âncora.

O corpo pesa,

o peito dói suavemente,

um eco distante.

Busco o norte

em seus olhos fundos,

o porto

onde a tempestade possa findar.

 

Mas as estrelas em suas mãos

são frias,

e a noite no olhar

não tem fim.

Ainda assim, eu vou,

descalço sobre a areia úmida,

o sal no ar.

Procurando

o calor que não sei se existe,

o abraço que talvez seja só brisa.

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