SEGREDOS DE BARRO

| Poesia Filosófica | 2026/07 Antologia Quando o verso pergunta | Edson Bento
Publicado em 12 de Julho de 2026 ás 08h 37min

SEGREDOS DE BARRO

Um vaso de barro, zen  
não quebra com sopro;  
o problema é o que vem  
do fundo da boca do povo.

Mesmo sendo frágil,  
o vaso guarda segredos;  
quem ousa tocar, tão ágil,  
pode revelar seus contextos.

Basta um só esbarro,  
um deslize exposto a contento;  
tudo vai-se desmoronando,  
quebrando seu exemplo.

Um vaso que se quebrou  
repousa no chão —  
memória que se fragmentou,  
pura como emoção.

Rachaduras guardam  
histórias que reluzem;  
valores que se mostram  
nem sempre se reduzem.

Nas fissuras, mapas do ser,  
lições em linhas de luz;  
cada pedaço ensina a ver:  
a inteireza que a dor produz.

Às vezes, o que quebra revela, certeiro,  
mais do que aquilo que permanece inteiro.

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