Se a lua fosse uma divina fofoqueira
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 13 de Março de 2026 ás 09h 04min
Se a luz da lua fosse uma fofoca divina,
uma contadora de histórias cintilante, de língua prateada,
ah, os segredos que ela derramaria pelo escuro calmo.
Imagine isso, essa mancha pálida em meu vidro de janela,
uma confidente tecida a partir de poeira de estrelas,
guardando os bilhetes sussurrados do universo.
Se apenas a resfriada luminiscência pudesse formar um som,
não o canto do grilo nem o chamado solitário do cachorro distante,
mas luz articulada, uma voz de saber antigo.
Ela banha o mundo adormecido, essa lua,
uma testemunha constante de tudo o que é invisível,
a dança lenta das galáxias, as dores de parto das nebulosas.
Eu perguntaria primeiro, em um pedido silencioso e ofegante,
diga-me, espiã luminosa,
quantas estrelas realmente pontilham o negro sem fim?
Não os números de catálogo, mas a contagem real,
o número além da aritmética humana,
a marcação mantida apenas pela gravidade e pelo tempo.
E então, a pergunta que ressoa por baixo de todas as orações,
o destino marcado em nenhum mapa terrenal:
Onde Deus reside?
Está no coração de um sol morrendo?
Ou talvez aconchegado perto, bem além do limite
do que nossas lentes mais afiadas podem perceber?
A luz da lua enxerga a arquitetura dessa morada,
a cor das pedras nos portões celestiais?
Ela conhece o nome do rio que flui nas proximidades,
aquele que carrega sonhos esquecidos à jusante?
Se ela falasse, a resposta seria um local simples,
uma coordenada no vazio?
Ou a luz da lua suspiraria, uma expiração suave e prateada,
e me diria que a morada não é um "onde" de todo,
mas um "como" vivemos, um sentimento que perseguimos
através do breve tremor de nossas próprias pequenas noites?
Eu observo as sombras se estenderem e encolherem sob seu olhar,
esses servos fiéis e silenciosos da luz lunar.
Eles bebem a fofoca primeiro, essas sombras,
antes que ela filtr-se até o dorminhoco inquieto lá embaixo.
Ah, ouvir o quadro de avisos celestial ser lido em voz alta,
a fofoca da própria criação,
da boca fria e brilhante da lua,
essa fofoqueira antiga e brilhante,
guardando todas as respostas em seu brilho gentil e emprestado.