Saudades do Rei arcanjo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 03 de Agosto de 2026 ás 20h 46min
Saudades do Rei Arcanjo
Rosy Neves
Meu amado Rei Arcanjo,
Fui obrigada a partir.
Não porque meu coração desejasse a distância, mas porque o destino abriu diante de mim um mar revolto, e nenhuma alma consegue deter a tormenta quando ela decide nascer. As ondas erguiam?se como muralhas de saudade, e cada vento arrancava do meu peito um pedaço do teu nome.
O mar era uma tormenta.
As águas gritavam em línguas antigas, enquanto meu barco, tão pequeno, lutava contra a imensidão. Olhei para trás inúmeras vezes, procurando o brilho dos teus olhos, aqueles faróis eternos que guiavam minha alma nas noites sem estrelas. Mas a névoa cobriu o horizonte, e tua silhueta tornou?se apenas uma lembrança bordada de luz.
Ainda assim, não houve um único instante em que eu deixasse de te amar.
Levei comigo o eco da tua voz, o calor do teu silêncio e a paz que habitava tuas asas. Nos dias em que o céu escurece, imagino que és tu quem acende uma estrela para que eu não me perca completamente.
Se algum dia esta carta alcançar os jardins celestiais onde repousas, não chores por mim. Apenas olha para o mar quando a madrugada vestir o mundo de prata. Estarei ali, escondida entre as ondas, pronunciando teu nome em oração.
Porque existem partidas que o corpo suporta, mas das quais a alma jamais regressa.
E a minha, desde o primeiro instante, permaneceu contigo.
Com eterna saudade,
Aquela que o mar levou, mas cujo coração permaneceu aos pés do Rei Arcanjo.
Comentários
Parece mais um epitáfio romântico, pois faz crer que esta carta está endereçada a uma pessoa que partiu sem saber o quanto era amada.