Saudade

 

A noite arde em chamas...

enquanto a saudade,

impiedosamente invade,

o meu peito dilacerado pela dor.

 

Escravo da insônia,

transito

entre o remorso e o ódio

que motiva as duas últimas gotas da minha      bile,

enquanto as minhas vísceras  se desfazem em tormento.

 

Junto os pedaços de mim

nos versos de um poema:

- meu último recurso,

último reduto:- essa nave espacial

que me proporciona

viagens imaginárias,

extraordinárias,

de volta no tempo,

                                       em busca da reconstrução

                                                     da minha trajetória.

 

Delirante...

a angustia me ensina

que, sendo apenas um estado de espírito,

é impossível  viver a felicidade em sua      

plenitude,

o que me faz despretensioso;

- em contraste, os sinais dos tempos,

me indicam, paralelamente,

as encruzilhadas da alegria

como uma possível proximidade.

 

mas logo sou capturado

pela concretude opaca da vida,

que me esbofeteia,

esmaga...

e me lança de volta ao leito,

onde o amanhecer é por demais

o eterno renascer de um sonho antigo

ouvindo em forma de cantilenas,

histórias que jamais consegui esquecer,

recontadas

por três figuras femininas, a saber:

a melancolia,

a nostalgia,

e a ironia

Esta última me dá prazer.

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