Saudade. Homenagem ao Meu Pai

Poemas | | Luciana Kelm | escritora
Publicado em 04 de Agosto de 2026 ás 23h 19min

Em homenagem ao meu pai (in memorian)

Lotário Emílio Kelm

03/04/1941  02/08/2026

 

Poema: Saudade

Autor: Lauro Rodrigues

 

Quando o sol golpeia no horizonte

e se vai reclinar por de trás do monte

como um boi colorado

repontado

pelo mango de noite

que tropeia

eu sofro a mágoa de tristeza,

a quietude sem fim da natureza

na saudade cruel que me maneia.

 

Xomíco!

 

Por que será

que Nosso Senhor nos dá

sem pena, nem julgamento,

a pua do pensamento

prá esporiar o coração?

Há nisso tanta maldade

que eu até nem acredito

que fosse o "tal" Jesus Cristo

o inventor da saudade...

 

Saudade!!!

 

Ela vem chegando,

tropereando...tropereando

tudo de bom que vivi.

 

Depois que a saudade apeia

amarra o pingo e sesteia,

nunca mais a gente ri.

 

Isto é: sempre há sorriso

mas para isso é preciso

enganar como perdiz

que piando numa moita

noutra se esconde afoita

fingindo que náo piou.

A gente não é feliz!

 

So ri dos dentes pra fora,

um gargalhar disfarçado,

uma risada amarela,

como potro atropelado

como boiada que estoura

na saída da cancela.

 

Saudade cheira a alecrim

mas é ruim que nem cupim

que dá em várzea de campo;

fere a gente de tal jeito

que o coração cá no peito

se banha nágua do pranto.

 

Saudade é grama cidreira,

é guecha passarinheira

que a gente nunca domina;

é dor aguda e danada,

dói mais do que uma chifrada

de vaca mansa brasina.

 

Saudade, coisa esquisita,

que Deus te faça bendita

como a hóstia no altar!...

 

Pois, de tudo que já tive,

somente a saudade vive,

vive a me acompanhar!!!

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