“Ruptura e desejos”
Poemas | Metapoesia | Marlete DacrocePublicado em 22 de Abril de 2026 ás 17h 03min
“Ruptura e desejos”
Há um instante em que o ser desperta entende
mudar comportamento é redesenhar destino
é reescrever resultados com as próprias mãos
Lembro então do balde pequeno, raso.
Suficiente, cheio de caranguejos vivos
Que não fogem, não porque não podem
Mas porque não deixam
Quando um ousa subir, outros o puxam de volta.
Como se o voo fosse ameaça, sair traição
O balde não tem tampa nunca teve
Mas existe medo, que tem corrente invisível
Feita de repetição, assim somos nós.
Em lares, círculos, histórias
Quando um se ergue diferente
O ambiente se inquieta, aperta, engole.
E então a escolha se revela nua:
Ou você sai do ambiente
Ou o ambiente te consome
Não há meio-termo
para quem deseja crescer.
Por isso, se for partir, vá inteiro.
Se for mudar, mude por dentro e por fora
Porque às vezes, a maior coragem do mundo
Não é subir, mas, aceitar voltar para o balde.