RESPIRAÇÃO DE AMOR
Poemas | 2026/2 Antologia Entre o toque e o silêncio | Eidi MartinsPublicado em 10 de Fevereiro de 2026 ás 14h 08min
O amor não chegou como clarão,
foi respiração aprendida aos poucos.
Primeiro, um deslocamento mínimo no ar,
como quando a cortina percebe o vento
antes da janela.
Depois, um gesto sem plateia,
mão que repousa,
nome dito por dentro,
silêncio que não pesa.
Amar é uma língua sem dicionário.
Há dias em que se conjuga no corpo,
pele, calor, presença, frase inteira.
Em outros, é vírgula suspensa,
distância que não desfaz,
lembrança que continua
trabalhando na matéria invisível do tempo.
O que foi toque ainda fala.
O que não pôde ser, também responde.
Guardo amores como quem guarda água,
não para prender,
mas para reconhecer a sede
quando ela volta.
Nem todo amor precisa permanecer perto,
mas todo amor verdadeiro
deixa um território habitável
dentro de nós.
E quando ninguém vê,
quando o mundo não escuta,
ele respira, baixo, inteiro,
como linguagem viva
sem precisar terminar a frase.
Comentários
O amor que transpassa o tempo, o espaço das reticências com eficiência...
Keila Rackel Tavares | 10/02/2026 ás 18:28 Responder Comentários