“Relacionamento bom: É preciso estar só e inteiro”
Contos | Marlete DacrocePublicado em 27 de Janeiro de 2026 ás 17h 40min
“Relacionamento bom: É preciso estar só e inteiro”
Ele sempre acreditou que o coração sabia tudo. Bastava bater mais forte e pronto: estava decidido. Mas a vida, paciente professora, resolveu ensiná-lo com mais calma. Quando começou a namorar, sentiu o de sempre, atração, encanto, aquele frio bom no estômago. A emoção fez a primeira chamada. Até aí, tudo certo.
Depois veio a fase silenciosa, a mais importante: observar. Não com desconfiança, mas com lucidez. Observou como ela reagia quando algo dava errado, como falava quando estava cansada, se respeitava opiniões diferentes ou se levantava a voz para vencer discussões. Reparou se o carinho era constante ou só aparecia nos dias fáceis.
Ele entendeu, então, que namoro não foi feito para durar eternamente por obrigação. Foi feito para avaliar. Para perceber se o afeto cresce junto com o respeito. Emoção acende a chama, mas é a razão que decide se vale manter o fogo aceso.
Quando notou gritos onde deveria haver diálogo, impaciência onde deveria existir cuidado fez o mais difícil, pulou do barco antes de se afogar. Nadou de volta para si mesmo. Doeu, mas salvou a própria paz.
Aprendeu que relacionamento bom não é pesado, não confunde, não machuca. É simples sem ser raso, fácil sem ser vazio. Emoção inicia o caminho, mas é a razão que escolhe com quem vale a pena continuar andando. Porque, no fim, namoro não é só sentir. É analisar. E escolher bem. Sendo necessário estar solteiro mas também só e inteiro.