Redenção das borboletas
Poemas | Canção | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 01 de Setembro de 2026 ás 06h 50min
Redenção das Borboletas
Rosy Neves
Ó, borboletas errantes,
filhas do silêncio e da madrugada,
quantas vezes vos vi partir
com as asas feridas
e o coração cheio de tempestades?
Viestes do ventre escuro do casulo,
onde a noite parecia eterna,
onde nenhum raio de esperança
ousava tocar vossa pele.
Mas eis que o tempo vos chamou.
E vós rompestes o cárcere da seda,
rasgastes as antigas sombras,
deixastes para trás
a criatura que chorava no escuro.
Voastes.
Não porque a dor tivesse desaparecido,
mas porque aprendestes
que até uma asa quebrada
pode guardar a memória do céu.
Ó, borboletas da redenção,
voai sobre os jardins esquecidos,
pousai sobre as flores que ainda esperam,
levai em vossas asas
os nomes daqueles que não conseguiram voltar.
Que cada voo seja um perdão.
Que cada cor seja uma cicatriz iluminada.
Que cada primavera vos encontre
mais leves que ontem.
E se alguma lágrima cair
sobre a relva silenciosa,
não a temais.
Talvez seja apenas o céu
devolvendo à terra
as estrelas que um dia perdeu.
Voai, borboletas.
Voai para além dos muros,
para além dos veredictos,
para além das mãos que tentaram
aprisionar vossa liberdade.
Porque a redenção não é esquecer a dor —
é transformar a dor em asas.
E quando a última borboleta
atravessar o horizonte dourado,
talvez o mundo compreenda, enfim:
há almas que nasceram para o inverno,
mas foram escolhidas pelas estrelas
para florescer na primavera.
E assim, entre flores e eternidades,
as borboletas encontram sua redenção.