Rascunho nos galhos
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 12 de Março de 2026 ás 21h 05min
Rascunho nos galhos
desenhado pelo vento noturno
um esboço de nuvens
que o sol apaga na manhã.
Um rabisco tênue
na tela azul imensa
onde pássaros migram
sem mapa ou certeza.
Perdidos no céu
como promessas esquecidas
gotas de orvalho na folha
que a sede da tarde consome.
Tudo é ilusão:
esse azul profundo
que nos chama
e nos devolve ao chão.
A forma da sombra
que dança sob a árvore
mudando a cada passo
do dia que corre.
O eco da voz
que pensei ouvir no silêncio
apenas o vento
mexendo nas copas secas.
A solidez da pedra
que parece eterna
sob a chuva que a desgasta
lentamente, sem alarde.
Os laços que tecemos
com fios invisíveis
a crença no toque
que se esvai no ar frio.
Rascunho desfeito
no papel do tempo
a tinta escorrendo
para um mar que não vejo.
O brilho fugaz
de uma estrela cadente
um risco rápido
e depois a escuridão volta.
Somos o traço breve
na areia molhada da praia
a onda que chega
e leva tudo embora.
Ilusão é a forma
que dou ao vazio
a tentativa vã
de segurar o instante.
O vôo da borboleta
cores vibrantes por um dia
depois o pó fino
espalhado sem direção.
Rascunho nos galhos
ou destino incerto
a beleza efêmera
de tudo que insiste em ser.
Perdidos no céu
aprendendo a não ter porto
a arte de flutuar
sem saber onde pousar.
Ilusão é o chão firme
sob meus pés agora
pois a terra gira
e tudo se move em segredo.
E a cada novo amanhecer
o céu limpo
oferece outro rascunho
outra chance de duvidar.