Quem sou eu, em poesias?
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 18 de Março de 2026 ás 21h 12min
Quem sou eu, em poesias?
A pergunta navega no silêncio vasto,
um sussurro entre nebulosas distantes.
Sou a tinta que escorre no papel pálido da manhã,
o rascunho inacabado de um sonho que insiste em nascer.
Sou a pausa longa entre o suspiro e a palavra dita,
o espaço vazio onde a melodia se recusa a terminar.
Em versos, sou o eco de uma risada antiga,
guardada na memória das paredes,
a sombra fugaz de um olhar conhecido.
Sou a metáfora tropeçando nas vogais da dúvida,
tentando abraçar o infinito com sílabas curtas e simples.
Sou a chuva fina que cai sem pressa sobre telhados esquecidos,
lavando a poeira do tempo,
revelando o musgo verde da persistência.
A pergunta ecoa nas estrelas,
e eu respondo com um ritmo lento,
o bater constante do meu peito sob o manto escuro da noite.
Sou feito de perguntas sem resposta,
de rios que buscam o mar sem saber o caminho exato,
de luz refletida em gotas de orvalho,
mudando de forma a cada movimento do sol.
Em poemas, sou a cor que falta,
o ponto final que se recusa a ser posto,
a rima torta que, teimosa,
encontra seu par no caos organizado da alma.
Sou a flecha lançada ao céu,
sem saber se o alvo é visível ou imaginário,
mas a beleza está no voo,
na trajetória traçada contra o azul profundo.
Quem sou eu?
Talvez seja apenas a ponte entre o que senti e o que pude escrever,
o breve milagre da compreensão capturado em linhas leves,
prontas para serem levadas pelo vento que também me carrega.
Sou a eterna busca pela palavra exata,
aquela que, ao ser lida,
faça o leitor sentir, por um instante,
que também ele flutua no silêncio cósmico da mesma indagação antiga.
Sou a poesia em construção,
a frase que ainda busca a sílaba certa para finalmente se encontrar no vasto eco das estrelas.