QUEM AMA CURA
QUEM AMA PROTEGE
QUEM AMA NÃO FERE...NÃO MALTRATA...
NÃO MATA...
NÃO ACEITE NENHUMA FORMA DE VIOLÊNCIA!
CUIDE DO MAIS IMPORTANTE: VOCÊ
Na minha juventude construí um castelo para chamar de lar.
Conheci alguém que pensei ser o meu príncipe encantado.
Ele sorriu e me prometeu o céu.
Entreguei meu sonho sem medo.
Mas o brilho virou sombra e a porta da vida aos poucos foi se fechando.
O ciúme enredou nossos dias como espinhos...
A possessividade cortou as palavras, uma a uma.
Agressividade virou rotina, silêncio foi sentença...
Fui refém do mesmo amor que eu um dia alimentei.
Vinte e oito anos de muros e correntes, de olhar que dominava.
Aprendi a medir a respiração para não provocar tempestades.
Aprendi a não perguntar, a obedecer ao relógio do outro. Tudo era medido, cronometrado. ..
Até que a teia do narcisismo estourou por dentro...
E uma decisão pequena, tremendo, começou a fazer espaço.
Rompi o que me prendia, pé por pé, noite por noite.
Juntei os cacos e saí carregando marcas que o tempo não apaga, mas ensina a guardar...
Oito anos livre e ainda sinto o eco daquele castelo desmoronando dentro de mim.
As lembranças são mapas com pontos doloridos, são armadilhas prontas a me ferir...
Reaprendi a dizer meu nome sem pedir licença.
Meus filhos e eu costuramos novos dias com fios de coragem e esperança...
Hoje meu corpo tem cicatrizes que brilham como mapas de sobrevivência.
Ainda há noites em que a sombra passa pela porta, mas eu acendo a luz.
Minha voz voltou a ser um canto.
Não sou apenas vítima das memórias, sou autora do meu recomeço.
Cada passo é resposta ao medo que um dia me calou.
As flores que plantei no quintal não esqueceram de nascer.
E quando me olho no espelho vejo uma mulher que aprendeu a perdoar o próprio tempo.
Hoje celebro o amor que me salvou: o amor que veio de mim mesma.
Não apago as marcas, transformo-as em história, em farol, em lar.
Sou fogo e também cura, e ainda que as sombras me toquem, eu sei voltar para a luz.