Quando o verso pergunta
| Poesia Lírica | 2026/07 Antologia Quando o verso pergunta | Liliane Inácia da SilvaPublicado em 29 de Julho de 2026 ás 13h 31min
Quando o verso pergunta,
estremeço diante da infinitude de janelas abertas.
Umas revelam a rua,
outras, as vias sufocadas que trago comigo.
Quando o verso pergunta,
a cidade vibra em ruídos,
os veículos embaralham destinos,
os semáforos impõem pausas e esperas,
como se esperar em filas fosse a verdadeira missão dos homens.
Quando o verso pergunta,
por que as pessoas aceitaram
o inexplicável acordo de viver?
Mas eu provoco.
Como aceitar que uma manhã seja apenas um amanhecer,
quando dentro dela cabem muitos universos?
Quando o verso pergunta,
a xícara de café deixa de ser louça
e torna-se um convite maravilhoso
para viver um momento extraordinário!
Quando o verso pergunta,
o relógio deixa de marcar horas:
mede a expectativa invisível da esperança.
As chaves no bolso parecem mais leves,
como se abrissem portas
que nunca ousei abrir!
Quando o verso pergunta,
quem construiu este cotidiano
onde o riso se abre enquanto alguém se desmorona?
Quem decidiu que pagar contas, cumprir horários
e voltar para casa era a realidade de muitas vidas?
Quando o verso pergunta,
talvez o universo não queira respostas.
Apenas impulsiona as pessoas
para que continuem perguntando.
Quando o verso pergunta,
eu apenas escrevo, porque a vida se encarrega de responder,
de esclarecer e até de recomeçar,
pois ela é incapaz de calar!