“Quando ninguém Percebia”

Poemas | Poesia Existencial | 2026/1 Antologia Quando a palavra sente | Marlete Dacroce
Publicado em 11 de Janeiro de 2026 ás 17h 32min

Quando Ninguém Prewcebia

Três filhos legítimos
Por dois anos, choro contínuo
Dia e noite, feito relógio quebrado
Batendo dentro do peito.

 

Não sabia o que era descanso, nem silêncio
Grudados em mim, era estado de alerta
24 horas de amor cansado
Medo sem nome.

 

Filhos insaciáveis grudados no peito
Trabalhar era necessário mesmo sem dormir

Uma rotina constante, para a jovem mãe
Sem manual, sem babá, sem ajuda.

 

Quando não choravam, gemiam
Quando não gemiam, gritavam
E o mundo olhava com reprovação
Nunca com compaixão.

 

  Mesmo assim Diziam:
-- “Tem algo errado com essas crianças!”
-- “Eles estão doentes.”
-- “Nossa quanto trabalho!”

 

Sozinha, frente a frente ao desespero
Atitudes que ninguém entendia, nem eu

Ninguém queria estar perto
Ninguém queria os filhos meus


Eu não podia esmorecer!
Pois se eu caísse, quem ficaria?

Recebia críticas

Muitas críticas!

 

Me perdi de mim.
Já não me via, não me sentia.
Pensei que iria enlouquecer.
Mas continuei...

 

O tempo passou.
E a busca pelo conhecimento veio
Acendeu uma luz
Os filhos TDAH!

 

O mais novo Autista
A busca continua

Eles não eram difíceis
Eram apenas diferentes.


Eram especiais neurodivergentes

Mas até entender tudo isso
Veio à depressão
Uma dor que não tem palavra


Era como arrancar a carne dos ossos
Alma vigilante acordada

Me via morrendo aos poucos
Mas, ninguém percebia.

 

 

Em 2016, depois de criar
Educar e emancipar os filhos meus, Colapsei!

A luz se apagava lentamente
O corpo já não sustentava a carga que eu carregava.


Sem forças para falar
Sem forças para ficar em pé

Sem resistência
Sem esperança.

 

Esgotada emocionalmente e fisicamente.

O caos financeiro

Febres, desmaios, internações,
Infecções recorrentes.

 

E o mais doloroso

Estava morrendo…
Mas, ninguém percebia!
O impossível era sobreviver.


E mesmo morrendo

Busquei força onde não tinha

Sozinha frente à dor

Sobrevivi

 

E hoje, conto as cicatrizes
Minha história não foi em vão

Ninguém percebia enquanto renascia

Fui sobrevivente, fui alma e coração.

 

 

Comentários

Essa é uma história de uma verdadeira fênix!

Lorde Égamo | 15/01/2026 ás 20:29
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