Quando criança, eu só queria brincar
| | 2026/9 Antologia O invisível que a palavra revela | Maria LurdesPublicado em 18 de Setembro de 2026 ás 15h 53min
Prosa Poética — 13 de setembro de 2026
Quando criança, eu só queria brincar
Crianças que só queriam brincar talvez não tivessem os brinquedos dos seus sonhos, mas o sonho dessas crianças era fazer os seus próprios brinquedos. A curiosidade tomava conta dos seus pensamentos: de um chinelo velho, uma lata qualquer que seria para jogar no lixo, mas a reciclagem fazia parte da fabricação.
A sua inteligência transformava lixo em luxo. Para uma criança vinda de situações que não tinham como oferecer grandes confortos, um pneu de bicicleta, uma bola feita de pano, uma boneca que encontrou na rua eram motivos de muita alegria. Era a verdadeira felicidade, onde tudo fosse motivo para sorrir.
Os materiais escolares tinham os seus cadernos encapados, suas roupas amarrotadas, seus vestidos chita. Talvez um ferro a brasa para engomar as poucas peças de roupas, que eram o suficiente para se usar. Uma vivência de quase não ter nada, mas ter tudo: o cafezinho, uma caneca branca, uma fatia de bolo de fubá.
No quintal da sua casa, aquela velha árvore onde as crianças iam brincar com os seus brinquedos, frutos das suas próprias produções, em cima de um carro de boi.
Junto do seu cachorro de estimação, ouvindo os cantos dos pássaros e das cigarras, ali ficavam elas, brincando e esperando a hora do almoço.
E sempre inventando mais uma novidade para o dia seguinte. As crianças não paravam de pensar, colocando as suas ideias em prática, fazendo as bolinhas de barro em grandes quantidades, que eram usadas para a caça por onde passavam, nas pequenas matas.
Maria Lurdes Joana Ribeiro