Provérbios de Salomão
Dia da Mulher | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 04 de Março de 2026 ás 11h 01min
A busca incessante
sob o sol que fura o céu de Jerusalém.
Salomão, o sábio de olhos cansados,
escreveu linhas de ouro,
mas a pergunta ecoa no silêncio dos pilares:
Mulher virtuosa, onde te escondes?
Não és a joia rara fácil de encontrar,
nem o brilho passageiro da festa.
Teu valor excede o coral mais fino,
mais preciosa que as pedras de Ofir.
Procuro teu rastro nas vielas poeirentas,
na agitação do mercado,
no recolhimento da manhã cedo.
Vejo a pressa dos dias,
o riso fácil que se esvai como fumaça,
a beleza que o tempo teima em apagar.
Mas tu, diz o livro antigo,
és alicerce firme,
mão que se estende sem pedir troco.
Teu coração não conhece a inveja mesquinha,
teu falar é temperado com azeite e mel,
não com vinagre amargo da fofoca vã.
Tu te levantas enquanto a cidade dorme,
preparas o pão, cuidas da casa,
e a tua lamparina não se apaga ao vento forte.
Quem te alcançará?
O homem de reputação intacta,
aquele que sabe honrar o pacto da vida.
Não pelo corpo,
mas pela alma tecida em paciência.
Tuas filhas te chamam de bem-aventurada,
teu marido te louva na porta da cidade.
És a força tranquila que move o mundo,
o porto seguro na tempestade inesperada.
Não dependes do ouro que o sol reflete,
mas do trabalho honesto das tuas mãos.
Planta videiras, costura vestes finas,
o teu negócio prospera na luz discreta.
Aonde teus passos me levam, Senhor?
Dá-me a visão para reconhecer
quando a sombra da tua virtude passar por mim.
Que eu não a confunda com a vaidade disfarçada,
com a promessa vazia dita ao luar.
Mulher de fibra, de fé inabalável,
teu legado não são monumentos de pedra,
mas a força dos teus filhos,
a paz que emana do teu lar bem cuidado.
Um dia, talvez, sob um céu de promessas cumpridas,
meus olhos encontrarão teu rosto sereno.
E a busca, enfim, será silêncio grato.