Guardei-me a vida inteira, perdoei, fui bom cristão,

Carreguei credo e bandeira com alguma vocação.

            Renunciei, sobremaneira,

            toda vida libertina,

            ao desejo sem paixão,

            e num lampejo pós barreira,

            de terminação tão repentina,

            vi explodir meu coração!

                        Para a poesia companheira

                        de decrescência paulatina

                        de muito amor, amor e solidão,

                        até a minha hora derradeira,

                        de mesmice e de rotina,

                        farei sempre minha confissão!

Nesta vida passageira

sempre julguei ter vivido em vão:

trabalhei e não fiz carreira,

fui sempre um na multidão!

            Num gesto infeliz,

que me delineava a fronteira

entre o erro e a correção,

pensei que as besteiras que fiz,

durante minha vida inteira,

não foram apenas uma opção,

mas teriam sido uma maneira

de vencer minha frustração!

            Se ora sendo um cristão que diz

            carregar credo e bandeira,

            com alguma vocação,

            todas as coisas que não fiz

            vivi por projeção!    

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