Por descuido do Rei Arcanjo

Poemas | Poesia Mistica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 19 de Maio de 2026 ás 21h 53min

Por Descuido do Arcanjo Rei

 

de Rosy Neves

 

Por descuido do Arcanjo Rei,

uma centelha divina caiu

sobre o manto escuro da humanidade.

 

E a noite, que dormia imóvel

nos ombros frios dos homens,

abriu os olhos pela primeira vez.

 

As cidades tremiam

em seus altares de concreto,

e os corações eram cavernas

sem estrelas e sem cânticos.

 

Mas a centelha ardia —

pequena como lágrima de fogo —

no centro do abismo humano.

 

Então ouviu-se um vento estranho,

vindo de dimensões celestes,

como asas atravessando

os véus da eternidade.

 

E as línguas repartidas desceram naquele dia

como rios de brasas vivas,

tocando a fronte dos esquecidos.

 

Os cegos passaram a ver

a tristeza escondida nas flores.

Os mares ergueram salmos antigos.

E até as pedras choraram luz

ao reconhecerem

a voz do Reino perdido.

 

O Arcanjo Rei, do alto,

fitou a Terra em silêncio.

Seus olhos eram auroras severas,

e suas mãos tremiam de eternidade.

 

Talvez não fosse descuido —

talvez fosse compaixão.

 

Porque desde aquele dia,

há homens que caminham

com incêndios sagrados no peito,

ouvindo idiomas invisíveis

entre o céu e a alma.

 

E quando a madrugada é profunda,

a centelha ainda canta

sobre o manto escuro da humanidade,

como uma estrela exilada

tentando ensinar os homens

a voltarem para casa.

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