Poesia: Eu Sou Tico, Eu Sou Taco
| Poesia Regional | GILMAR BISPO DOS SANTOS NEVES Gilmar BispoPublicado em 01 de Agosto de 2026 ás 18h 35min
Eu sou filho da natureza;
a natureza me criou.
Eu sinto dor,
eu sinto frio,
eu sinto arrepio.
Sou um ser vivo que nasceu livre,
entre arbustos e planícies,
que canta e assobia
para alegrar os caprichos do meu senhor.
Eu sou tico, eu sou taco.
Entre o cocho e o caco,
meu algoz me exibe como um troféu.
Eu canto, eu assobio
para satisfazer a sua vontade.
Eu sou tico, eu sou taco.
Fui arrastado, preso,
engaiolado, humilhado,
julgado e condenado,
sem sequer ter o direito de me defender.
Hoje eu vivo do poleiro para o caco,
assobiando e cantando
para esquecer os maus-tratos
do meu cruel senhor.
O meu futuro está incerto;
estou me desfazendo,
não sei mais quem eu sou.
Mas uma coisa eu tenho certeza:
Eu sou tico, eu sou taco.
E assim vou seguindo a minha sina,
entre o cocho e o caco.
Eu sou tico, eu sou taco.
Autoria: Gilmar Bispo