Plumas de estrelas
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 25 de Abril de 2026 ás 13h 11min
Plumas de Estrelas
A noite desdobra seu manto escuro
e eu me perco
na imensidão
das plumas de estrelas.
Elas caem
suaves, silenciosas,
pintando o céu com poeira cósmica.
Cada pena, um suspiro de luz.
Algumas brilham intensamente,
como faróis distantes,
guiando navios invisíveis
por mares de escuridão.
Outras piscam timidamente,
segredos sussurrados
entre constelações antigas.
Quase como se chorassem
lágrimas de prata.
Imagino que um dia
elas foram asas de anjos
que ousaram voar
mais alto que o limite do azul.
E no retorno,
deixaram cair,
sem querer,
pequenas lascas de seu ser.
Ou talvez,
sejam fios tecidos
pelas mãos de uma deusa cansada,
que borda sonhos
nas lonas da noite.
Fios que se soltam
e flutuam,
perdidos,
mas eternos.
As plumas de estrelas,
são elas mensagens?
Sinais de outros mundos?
Ou apenas a poeira que resta
de uma explosão de beleza
que nem chegamos a ver?
Olho para cima
e sinto o peso do universo
em meus ombros.
Mas também a leveza
de ser parte de algo tão vasto,
tão antigo.
Cada estrela cadente
é um desejo que se esvai,
uma promessa que se cumpre
ou se desfaz
no vento frio da madrugada.
Um lampejo fugaz
de pura magia.
As plumas de estrelas não fazem barulho,
mas ecoam em minha alma.
Um murmúrio de admiração,
um convite à contemplação.
Para lembrar que somos
apenas um grão
na areia de um tempo
sem fim.
E que mesmo na escuridão mais profunda,
sempre haverá
uma pluma de estrela
para iluminar o caminho.
Um lembrete gentil
de que a beleza existe,
mesmo quando não a vemos.
Elas se espalham,
se misturam,
criando padrões que mudam
a cada instante.
Uma dança silenciosa,
uma sinfonia de luz.
E eu,
aqui embaixo,
com os olhos fixos no infinito,
sinto o toque invisível
das plumas de estrelas
em minha pele.
Um beijo fio do cosmos.
Uma carícia de eternidade.