Perguntas em mim
| Poesia Filosófica | 2026/07 Antologia Quando o verso pergunta | Manoel R. LeitePublicado em 05 de Outubro de 2026 ás 16h 39min
Tarde dobra mapas sobre a mesa
Entre livros, lâmina de luz
Risca ruínas no mármore do silêncio
Séculos respiram em cada dúvida
Algo em mim recusa repouso
Mesmo quando a casa adormece
No vidro, mundo ensaia outras formas
Sombras cruzam colunas imaginárias
Rio dormente corre sob meus passos
Esfinge permanece sem rosto
Ilhas recuam no horizonte
Espelho devolve apenas passagem
Sinto peso ancestral do tempo
Pele reconhece frio da finitude
Desejos erguem impérios, ruínas
Escolhas abrem fendas no possível
Que parte de mim escolhe caminho?
Que parte aprende apenas a perdê-lo?
Carrego perguntas sem respostas
Acendem corredores no escuro
Mistério talvez seja permanência
De algo que continua pensando e pesando dentro de mim