Peregrina do universo
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 26 de Maio de 2026 ás 21h 03min
A Peregrina do Universo
Eu sou uma peregrina,
uma viajante que atravessa as vastidões intergalácticas,
uma colecionadora de estrelas cadentes e destinos fugazes.
Caminho em absoluto segredo,
pisando veredas ocultas e proibidas,
naquilo que há de mais invisível,
mas também de mais verdadeiro, no seio do universo.
Eu ouço tudo.
Observo, com atenção infinita, a humanidade,
e conheço, como ninguém, os seus mais íntimos anseios,
assim como os medos mais profundos e secretos
que ela tenta esconder até de si mesma.
Contemplo a imensa e silenciosa solidão
que pesa sobre os ombros dos homens terrenos,
e, de forma estranha e comovente,
é justamente ali, naquele vazio,
que eu mais facilmente me reconheço.
O choro que vem da terra nunca é em vão.
Eu escuto cada som.
Eu contemplo cada cena.
Não saberia dizer se esta minha sensibilidade
é uma santa bênção ou uma terrível maldição…
Mas sei, com certeza, que por ordem expressa
do glorioso Rei Arcanjo,
foi-me confiada esta missão solene e pesada:
eu estou aqui para ouvir a humanidade.
Às vezes, ao observá-los, sinto que o mundo enlouqueceu.
Sinto a presença de uma loucura sombria e perversa,
pairando no ar, pesada e escura,
como uma nuvem negra sobre os ombros cansados da Terra.
E ainda assim, em meio a todo caos, eu permaneço e ouço.
E anoto, com cuidado infinito, cada lágrima derramada,
cada silêncio carregado de dor,
cada ruína escondida e cada cicatriz aberta
que existe na alma humana.
Guardo tudo isso comigo,
aguardando pacientemente
a chegada do grande e derradeiro dia.