PATATIVA DO ASSARÉ (Jeito nordestino) (Texto colhido na internet)
Homenagens | Testemunho | Lorde ÉgamoPublicado em 27 de Junho de 2026 ás 10h 09min
Patativa do Assaré foi um dos maiores poetas populares, cordelistas e compositores do Brasil. Nascido e criado na zona rural de Assaré, no interior do Ceará, ele usou sua poesia oral e escrita para dar voz aos sertanejos, denunciar a desigualdade social e defender a reforma agrária.
Patativa do Assaré, apesar de ter tido apenas cerca de quatro meses de educação formal, é um dos poetas mais estudados do Brasil. Sua genialidade e domínio da linguagem ultrapassaram fronteiras nacionais, tornando-se alvo de análises em grandes universidades. Órfão de pai aos oito anos, precisou trabalhar na roça para ajudar a família, o que limitou seu acesso à escola.
Patativa sabia ler, mas não sabia escrever. Como não escrevia os textos, ele compunha e lapidava seus versos inteiramente na memória. Ao criar seus cordéis e poemas matutos, ditava-os para outras pessoas ou simplesmente os memorizava para recitá-los em praças, teatros e rádios.
Seu talento com as palavras e a oralidade rendeu-lhe reconhecimento nacional, tendo recebido cinco títulos de Doutor Honoris Causa por universidades brasileiras.
Apesar das limitações da escrita, tinha grande intimidade com a literatura. Lia constantemente e era um profundo conhecedor de grandes clássicos da poesia brasileira.
Seu poema mais famoso, que narra o drama da seca e a dura realidade dos retirantes nordestinos. Foi musicado e imortalizado na voz de Luiz Gonzaga em 1964. Ficou nacionalmente conhecido por compor versos que aliavam uma profunda consciência social à simplicidade da vida no campo.
Seu trabalho inspirou gerações de artistas e, até hoje, sua obra continua sendo estudada como um marco da literatura de cordel e da cultura popular brasileira. Tornou-se um símbolo de resistência, defendendo os humildes e criticando os donos do poder, sem nunca abandonar sua terra natal ou suas origens sertanejas.
Patativa do Assaré partiu em 8 de julho de 2002, aos 93 anos, na cidade de Assaré, no Ceará.
Antônio Jose (jornalista)
Como jornalista e assessor de comunicação social, na Emater-CE, tive a oportunidade de entrevistar o imortal Patativa do Assaré, por duas vezes, em sua residência, na cidade de Assaré-CE. Em uma delas, ao olhar para meu gravador, recitou, de improviso, os seguintes versos: " Gravador que estás gravando, aqui, no nosso ambiente, tu gravas a minha voz, os meus versos e os meus repentes, mas, gravador, tu não gravas a dor que meu peito sente". A emoção foi tamanha que lágrimas rolaram pela minha face. Ele, em uma solenidade, na qual eu era o mestre de cerimônias, estando com minha filha Arusha, aos oito anos, com uma das mãos, no ombro dela, dedicou-lhe um poema e rimou o nome dela com o nome da apresentadora Xuxa.
Lauro Lima (pedagogo)
O grande e imortal Patativa do Assaré, nascido e criado na Terra de Iracema, o Ceará!
Abaixo estão os versos de um curto poema (SONETO) do Patativa do Assaré:
(Aqui Lauro gomes desmistifica a ideia de que Patativa do Assaré era bitolado a fazer apenas cordéis, quando nos apresenta este magnífico soneto, onde revela sua face de defensor da soberania)
"O QUE MAIS DÓI"
O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
O que mais dói e o peito nos oprime,
E nos revolta mais que o próprio crime,
Não é perder da posição um grau.
É ver os votos de um país inteiro,
Desde o praciano ao camponês roceiro,
Pra eleger um presidente mau.
Patativa do Assaré
Comentários
Parabéns Patativa !! Maravilhoso!!
Lindo texto