PARTITURA
| Metapoesia | Antologia Nacional Família Literária: A travessia das palavras | Rosilda Vaz de SouzaPublicado em 31 de Agosto de 2026 ás 20h 27min
PARTITURA
Vida pulsante, infância de quintais,
A
Felicidade
Morava debaixo
Do pé de
P
A
R
A
Í
S
O
vozes misturadas, brincadeiras, tardes que pareciam não ter fim,
pequenos sonhos,
a vida cabia no pouco
e o pouco nos parecia inteiro.
Mais tarde, bem mais tarde,
coisas de gente grande,
construção de oásis para o amanhã.
Abruptamente,
silêncio sepulcral,
peso do vazio,
a paisagem mudou.
Deixamos de ser os mesmos,
embora continuemos sendo nós.
E o eco aqui dentro é:
Falam “ai, que saudade”,
como quem fala do temPo
bAnal,
vil, casual, normaL,
som que passA e não fere, não dói, não fica.
Assim se escreVe saudade:
silêncio que não cicatRiza,
dor agudA, saudade atravessa o corpo e não pede licença.
Saudade é liQuidez corpórea na face.
Qualquer oUtra falta,
dita Em vão, encolhe,
fica ínFima.
Saudade não é clichê repEtido, nem lamento leve.
Saudade é só uma: a doR de quem partiu sem retorno, sem desvio,
e deixou o amor sem ondE p
o
u
s
a
r