Partiram o meu coração
Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de MenesesPublicado em 20 de Março de 2026 ás 16h 03min
Partiram Meu Coração
Partiram meu coração em silêncio,
sem gritos, sem despedidas,
como quem fecha uma janela
e deixa o vento preso do lado de fora.
Foi um adeus sem palavras,
um gesto leve, quase invisível,
mas que pesou como pedra
no fundo do peito.
As lembranças ficaram espalhadas
como cacos de vidro no chão da alma,
e cada passo que dou
me corta um pouco mais.
Havia promessas no ar,
doces como o perfume da manhã,
mas o tempo, cruel e paciente,
as levou uma a uma,
como folhas secas levadas pelo outono.
Agora caminho entre ruínas,
tentando reconstruir o que sobrou,
colando pedaços de mim
com lágrimas e esperança.
O amor, esse velho artista,
pintou em mim um quadro inacabado,
onde a dor e a beleza se misturam
numa paleta de saudade.
Ainda ouço o eco do riso,
a lembrança do toque,
a sombra do olhar que um dia
me fez acreditar no eterno.
Mas o eterno se quebrou,
e o que restou foi o silêncio,
um silêncio que grita,
um vazio que pesa,
um coração que insiste em bater
mesmo partido.
E mesmo assim,
há algo de belo na dor,
porque dela nascem versos,
e dos versos, renascem almas.
Partiram meu coração,
mas não levaram minha poesia.
Ela ficou — viva, pulsante,
como uma flor que insiste em nascer
no meio das pedras.