Ouve ó Miguel

Poemas | Poesia Lírica | Rosilene Rodrigues Neves de Meneses
Publicado em 26 de Maio de 2026 ás 09h 30min

Ouve, Ó Miguel…

 

Ouve, ó Miguel…

 

Eu ainda contemplo as estrelas em sua ascensão,

buscando os olhos do Arcanjo Arqueiro

que partiu para um exílio além das constelações,

deixando-me à deriva, num barco já furado,

prestes a naufragar à beira do mundo…

 

Ainda procuro, entre a poeira das estrelas,

qualquer vestígio, qualquer rastro dos olhos desse Arcanjo…

 

A minha alma permanece como uma criança,

abandonada sob a sombra vasta e pesada desta terra fria…

 

Aqui, tudo é tão sombrio e profundamente silencioso.

 

Miguel… Miguel…

Ouve os meus gemidos.

Eles são orações que se erguem como incenso,

feitas de lírios queimados em chamas,

uma oferenda de dor e amor, somente a Ti.

 

Estou à deriva no mar imenso dos meus anseios,

desejando apenas encontrar-Te

só mais uma vez…

Para que os meus olhos possam, enfim, descansar,

livres do pranto amargo e incessante deste mundo.

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